A ERA DOS SERVIÇOS
Estamos todos vivendo a Era de Serviços! Este é
um caminho sem volta. Existem negócios onde o serviço
é menos importante, outros em que são preponderantes.
O fato é que vivemos em uma sociedade de serviços
que só pode se intensificar, dado o elevado grau
de personalização e de interação
em um meio altamente competitivo, onde os consumidores
tornam-se cada vez mais exigentes. Consumidores estes,
que foram ganhando poder. No Brasil, o surgimento do Código
de Defesa do Consumidor deu capacidade de cobrança
e desde então temos um órgão específico
para reclamar nossos direitos. Sem falar no aumento da
competitividade, hoje existem inúmeras opções
de escolha, seja de produtos diretamente concorrentes,
como também alternativas de consumo, o que faz
com que empresas lutem pela conquista de espaço
no bolso dos consumidores, tornando a competição
muito mais ampla. A Era de Serviços é também
a Era da Informação e isto também
lhes dá poder, pois são capazes de absorver
um conhecimento muito maior sobre qualquer ponto de seu
interesse. Onde está o grande desafio, então??
Está basicamente no funcionamento da oferta de
serviços. A grande revolução reside
justamente aí. Nas indústrias os trabalhos
de bastidores são preponderantes na fabricação
do produto e as empresas precisam de poucas pessoas para
interagir com seus clientes. As equipes de marketing e
vendas são contratadas a peso de ouro. Em uma oferta
de serviços, precisamos colocar o que estava nos
bastidores para o centro da cena. Temos portanto um aumento
enorme na intensidade de interação e vários
pontos de contato com nossos clientes. Isto explica o
boom dos call centers, empresas de entrega expressa e
o povoamento de empresas na internet. Não é
à toa a preocupação com a última
milha, pois hoje o cliente pode comprar e receber o seu
produto sem sair de casa. O mais excitante é que
cada desafio nos leva a inúmeros questionamentos
e planos. Nos permite capacidade de realização
e nos renova, a partir de novos desafios que são
impostos. Sem dúvida alguma, o fator chave de sucesso
nesta onda de serviços é a qualidade da
interação, ou em síntese a nossa
capacidade de resposta ou solução para nossos
clientes. Obviamente outros aspectos são importantes
para uma proposta de serviços adequada, como a
facilidade de acesso, a capacidade de atender a demanda
e a duração da interação.
Mas isto perde importância quando não atendemos
as necessidades do consumidor, oferecendo-lhe uma solução
e entregando a real proposta de valor do serviço.
Com isto as empresas ficam cada vez mais dependentes de
um grupo maior de funcionários que estão
no centro da cena, em algum dos tantos pontos de contato
com os clientes. Preparar estes funcionários torna-se
crucial para empresas que querem prosperar no mercado,
pois um simples caixa de uma loja, um entregador de jornal,
um atendente de call center pode começar a arruinar
toda a estratégia de uma empresa bem posicionada
no mercado. Na linha de frente precisamos de funcionários
capazes, motivados e comprometidos, um conjunto que não
se conquista somente com um bom processo de seleção,
cujos resultados nos garantem apenas o primeiro valor.
Para garantir motivação e comprometimento
temos que compartilhar conhecimentos, fazendo com que
todos os funcionários conheçam a estratégia
da empresa, dividindo e explicando todas as ações.
Inúmeros são os casos de empresas cujos
funcionários ficam sabendo das novidades através
de seus clientes. Qual é o sinal que clientes e
funcionários estão recebendo?? Fica claro
para ambos, neste caso, que esta interação
não está valendo para nada e que o funcionário
não terá a menor capacidade de atender as
demandas do cliente. Isto tem o efeito de uma bomba na
cabeça dos funcionários, desmotivando uma
equipe por completo. Estamos falando então, de
uma cultura de aprendizagem, onde um grupo com treinamento
constante, trabalhando em equipe é capaz de trocar
experiências práticas da vida profissional
e pessoal, em que todos saem ganhando. Esta troca de experiências
só fortalece o sentido de grupo reduzindo espaço
para as individualidades. Delegar é outra regra
de ouro, e talvez a mais importante. A capacidade de decisão
em um momento da verdade faz a diferença, uma vez
que o cliente percebe que seu assunto terá solução
e ele não será vitimado pela aquela série
de burocracias muito comuns nestes momentos. Qual é
a mensagem que o funcionário recebe neste caso??
Que ele é importante e decisivo no contato com
o cliente. Este poder eleva a auto estima de qualquer
um, transmitindo senso de responsabilidade fundamental
a cada necessidade de tomar uma decisão. Com este
estilo de administração, as possibilidades
de ganho são enormes, pois ampliam a nossa capacidade
de atuação. Saímos, então,
de uma postura reativa de atendimento às demandas,
para uma postura pró-ativa, buscando novas oportunidades
e oferecendo melhores negócios para nossos clientes.
Walter Bier - Gerente de Assinaturas da Zero Hora