Uma Decepção do Gerenciador
Quem, em desenvolvimento de pessoas, não se decepcionou
alguma vez ? Faz parte do processo, ou como Cazuza, "faz
parte do meu show". As decepções podem
ser de variadas formas, desde a não oportunidade
de proceder ao desenvolvimento, a falta de tempo para
completar o processo, a falta de apoio ou de crédito
dentro da organização para que se faça
o processo, a descrença da própria pessoa
a ser desenvolvida, a lerdeza organizacional de tomada
de decisão para iniciar ou apoiar em um determinado
estágio o processo, o erro de metodologia aplicada
no desenvolvimento, a desistência sobre o processo
por qualquer das partes envolvidas, ao terminar o processo
e constatar que não há oportunidade de aproveitamento
do "novo" profissional desenvolvido, as mudanças
organizacionais movidas pelas condições
econômicas limitando ou mesmo falindo os programas
de desenvolvimento, enfim, uma grande gama de possibilidades.
Algumas das possibilidades estão centradas no profissional
ao qual está proposto e aceito o desenvolvimento.
Sobre ele muitas coisas podem acontecer pois a dinâmica
do mundo influi na dinâmica dos homens, assim como
o oposto também é verdadeiro. A possibilidade
é real, do - aqui vamos chamar assim - aprendiz
no processo vir a não aproveitar o que lhe é
proposto e por ele verbalmente aceito. Esta é uma
decepção muito grande. Ela é grande
pois o processo de desenvolvimento é, quando corretamente
efetuado, em condições de verdades muito
claras. Todas as etapas, da formalização
do "contrato" de desenvolvimento às avaliações
periódicas, aos objetivos, às críticas
e tudo o mais que aconteça, entre profissional
em aprendizado e o profissional de desenvolvimento é
muito claro, límpido, verdadeiro. Caso contrário,
não irá funcionar, é melhor nem começar
se não existe este compromisso ou, melhor parar
no meio se este compromisso é quebrado do que ir
ao fim de forma falsa. Em um processo de desenvolvimento
não cabem charadas ou mentiras - omissões
- que irão afetar o relacionamento entre os profissionais
e impedir e não crescer. Quando se trabalha assim,
de todas as partes - empresa - aprendiz - profissional
de desenvolvimento, ainda assim se correm riscos no processo.
Mas quando uma das partes não trabalha assim, pode-se
chegar até o fim e ter a tristeza de não
chegar na verdade, apenas na fantasia. Empresa investe
e não tem retorno; aprendiz investe e não
tem retorno; profissional de desenvolvimento investe e
se decepciona. Qualquer uma das partes pode ser não
verdadeira, mas o que hoje abordamos, é quando
a parte que maior retorno poderia ter, o aprendiz, não
é verdadeiro e, usa um programa para usufruir de
benefícios exclusivos. Ou porque aproveita para
se preparar para sair (não deixa de ser um direito
- mas sem clareza de intenções, é
roubo) ou para derrubar alguém (o que mostra uma
falta de caráter e de capacidade - facilmente detectável),
ou para se dar bem no sentido de matar horas de trabalho
na posição atual e ainda receber atenções
e talvez um aumento de salário (mediocridade pessoal
e profissional - também detectável), ou
para falar mal dos outros e minar as estruturas organizacionais
(esta o bom profissional de desenvolvimento detecta facilmente
e elimina), ou alguns outros motivos. Nesta forma, uma
decepção está em se contatar com
profissionais que foram seus aprendizes em algum momento
do passado - recente ou distante, para os quais você
foi verdadeiro - pois é o caminho, é seu
natural - e estes se demonstram indiferentes de você,
quase ignoram sua presença, você é
quase um desconhecido (até seria melhor). Ou seja,
fazem como quê você não fez. Não
se deseja nenhum reconhecimento dos aprendizes, mas também
não se espera desdenha ou alguma outra agressividade.
O processo, por ser trabalhado em verdades, deveria sempre
se conduzir para firmar uma relação positiva,
não necessariamente de amizade, pois é trabalho
e profissional, mas respeito sim, respeito profissional,
calcado nas capacidades de todas as partes e que se não
reflete em continuidade, até em seus motivos é
conhecido e claramente processado por todas as partes,
ficando respeito profissional. Este é um alerta
para todas as partes de um processo de desenvolvimento.
Trabalhar verdadeiros, todos, para que decepções
deste tipo não aconteçam e, se acontecerem,
sejam plenamente compreendidas, até porque foram
esperadas pela verdade do processo.